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Passeio pelo museu

Os amantes da arte podem se deliciar diante da tela do computador, como se estivessem in loco, bem em frente a um quadro, uma escultura ou uma peça de mobiliário antigo. E aqueles que nunca tiveram a oportunidade de entrar em um museu podem desfrutar o prazer dessa experiência – em um plano virtual, é verdade; porém, com um grau de sofisticação tecnológica que vai muito além da observação passiva de imagens.

No Era Virtual – Museus, portal que reúne acervos de vários museus brasileiros, o internauta visitante pode “caminhar” pelos corredores de uma exposição, virar as obras para ver de vários ângulos, aproximar a imagem para conferir detalhes da peça, acompanhar a narrativa de um guia em quatro idiomas (português, inglês, francês e espanhol) e ler textos sobre os autores e suas criações. “É como se você estivesse realmente dentro de um museu”, diz, entusiasmado, Rodrigo Coelho, diretor da Empório de Relacionamento Artísticas, empresa que desenvolveu o projeto.

A ideia de reunir em um portal interativo acervos de vários museus brasileiros foi da ERA, de Minas Gerais. O roteiro cultural é dos mais atraentes e literalmente sem preço, pois a visitação online é totalmente gratuita. De Minas Gerais, o Museu de Artes Ofícios, de Belo Horizonte, e o Museu do Oratório, de Ouro Preto. O Museu Nacional do Mar, de São Francisco do Sul (SC); a Casa de Cora Coralina, em Goiás; e o Museu Victor Meirelles, de Florianópolis (SC). Há também o acervo da Casa Fiat de Cultura, de Nova Lima (MG).

O insight para colocar o acervo dos museus em um portal da internet ocorreu em 2008, na época da Bienal Brasileira do Design. Como já acontecia há vários anos, a ERA foi chamada para fazer a cobertura de vídeo do evento. “Eles queriam a exposição na internet da forma mais fiel possível”, conta Coelho. A experiência no desenvolvimento de um projeto de realidade virtual feito para a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pouco tempo antes, foi de grande valia nesse processo. Após pesquisar em museus de referência no exterior – o Louvre, em Paris (França); e o Museu Egípcio, no Cairo (Egito) –, a ERA apresentou aos organizadores da Bienal um site similar ao que viria a ser o portal Era Virtual – Museu. “Decidimos usar a tecnologia, que é muito atraente aos jovens e às crianças, para divulgar os museus brasileiros”, revela Carla Sandim, produtora executiva do projeto.

A decisão tomou como parâmetro dois indicadores dos mais significativos. De um lado, a constatação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que 92% da população brasileira jamais visitaram galerias de artes ou museus. A esse número, Coelho acrescenta outro, segundo o qual a esmagadora maioria dos municípios não tem salas de exposição. O outro lado da moeda é a grande penetração da internet no Brasil, com acesso garantido a 64,8 milhões de pessoas, segundo o Ibope Nielsen Online.

A ERA vislumbrou a oportunidade de utilizar a internet como meio de estimular no brasileiro o hábito de frequentar museus, ainda que virtualmente. A iniciativa, além de ampliar o alcance sóciocultural da população, democratiza o acesso a informações que podem ser usadas para pesquisa e transmissão de conhecimento. O sucesso da proposta se traduz na quantidade de visitas registradas. Em cerca de um mês, o portal contabilizou aproximadamente 20 mil acessos.

Mas, até chegar a esse resultado, a ERA precisou superar um grande desafio: conquistar as instituições para que consentissem em inserir seus acervos no portal. O receio era de que diminuísse do número de visitas físicas aos museus – uma percepção equivocada, muito comum no Brasil. O trabalho de convencimento de que uma coisa não tem relação direta com a outra foi feito com o auxílio da curadora Célia Corsino, consultora da Unesco e uma das autoridades em museologia no país.

Os desafios continuam, para dar conta do complexo processo de digitalização das imagens. Uma equipe de aproximadamente 30 pessoas vai aos museus para filmar e fotografar o ambiente e todos os objetos em diversos ângulos e em alta definição. É trabalhoso, mas, a julgar pelos comentários de professores, de estudantes e o público em geral – registrados no Livro de Visitas, visível no menu de opções do portal – é muito gratificante.

A interação com o público é o grande apelo do projeto. No Museu do Oratório, por exemplo, há uma peça muita pequena. O internauta pode ampliar a imagem de forma a ver detalhes que não são possíveis de visualizar a olho nu. “Você pode tirar uma peça da cúpula de vidro, virá-la para esquerda e para direita. Coisas que não acontecem no próprio museu”, exemplifica Rodrigo. Outra característica importante do projeto Era Virtual – Museus é a abrangência. “Em muitos museus, o acervo é bem maior do que o que está em exposição. Por isso, são feitas exposições rotativas do material. No portal, o museu pode organizar e exibir todo o seu acervo, criando a memória de seu próprio espaço”, ressalta Carla.

www.eravirtual.org

Fonte: ARede

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