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Home Turismo Meu roteiro Ceará: 3º Dia Prainha

Ceará: 3º Dia Prainha

No pacote turístico estava incluso o translado a um parque aquático chamado Beach-Park do qual queríamos distância. Mas como o passeio era de graça e o guia receptor iria explicar o preço e os passeios por ele programados, acompanhamos o grupo para podermos conhecer a cidade de Aquiraz onde fica a praia das Dunas e o tal parque aquático.

Consultando o guia, vimos que Aquiraz foi a primeira capital do Ceará e ainda hoje conserva prédios antigos como a sua igreja. A saída de Fortaleza demorou muito tempo, pois tínhamos de passar em vários hotéis e em alguns os turistas se atrasavam, sentimos que esta seria a tônica dos passeios. O empreendimento em nada difere de um parque aquático normal, apenas está localizado em uma praia, aliás, fechada por eles. Conversando com uma funcionária do parque a Ana descobriu que a cinco quilômetros de caminhada pela praia fica a Prainha, um bairro com barracas bem mais baratas e mulheres rendeiras. Lá vamos nós! Antes da caminhada uma foto com um cearense fantasiado de golfinho para brincar com um colega de trabalho e a fuga dos bugueiros que te cercam oferecendo passeios a 120 reais.

A areia áspera e a praia inclinada cansam muito mais do que o imaginado e quase morremos de tanto andar debaixo do sol do meio-dia. Encontramos alguns jangadeiros  e uma barraca com uma viatura da polícia militar estacionada ao lado (uma Toyota SW) e onde conheci a cachaça de marca Tradicional, produzida em Aquiraz. Leve e fraca. Uma cerveja gelada e a observação de que as telhas de barro do local estão corroídas pelo vento. Vento que nos acompanhou durante toda a estada no Ceará. O dono da barraca avisou que faltavam quatro quilômetros e meio...

Como retirantes, chegamos ao Japão, uma simpática vila de pescadores situada a poucos metros da Prainha, e a uma barraca onde tomamos água de coco, cerveja e uma porção de macaxeira frita deliciosa e enorme por sete reais. Conversarmos com um pescador, que já tinha tomado todas e mais um pouco e outros que ali estavam. Seguimos para a Prainha e as rendeiras.

As rendeiras estão aglomeradas em uma praça chamada de Centro das Rendeiras onde elas ficam rendando e rendando o dia todo. Compramos alguns objetos (no Mercadão de Fortaleza e na Feira da Orla o preço é o mesmo) e nos encantamos com a habilidade destas mulheres. Quando não estão trabalhando descansam deitadas no chão, hábito que notamos também na cidade de Fortaleza. Pela quantidade de trabalhos prontos e expostos ficamos com a impressão de que elas são obrigadas a vender para atravessadores já que a vila também esta fora dos roteiros turísticos. Ao saber que somos do estado de São Paulo uma rendeira afirmou que “São Paulo é tudo de bom” porque nas viagens feitas para cidades do estado de São Paulo elas vendem tudo o que conseguem levar.

Comemos uma peixada - um peixe avermelhado de nome Pargo servido grelhado e com escamas - por 50 reais. Ele é aberto e você come pelo lado de dentro. Já na volta da viagem, encontramos no aeroporto um aviso sobre o tamanho do Pargo e das lagostas que podem ser consumidos, estranho! Esta informação deveria ser dada na chegada e não na saída. Como já passava das 16h resolvemos voltar de Bug - apesar dos 40 reais cobrados pelo percurso de cinco ou sete quilômetros (dez segundo o bugueiro). Logo que chegamos ao Beach Park aguardamos os demais para a saída do ônibus (o que demorou, sempre há os atrasados) estávamos moídos de cansaço e felizes por ter conhecido tanta gente e lugares interessantes. Como estava demorando muito resolvemos alugar um carro.

A diária era de 75 reais com uma franquia de 200 quilômetros/dia (descobri no embarque de volta a São Paulo, que no aeroporto são oferecidos carros sem ar condicionado nem direção hidráulica por 56 reais e sem limite de quilometragem), mas era um bom carro - um Gol flex ano 2008.

À noite fomos ao Pirata (www.pirata.com.br), depois de comermos um lanche na ótima Casa dos Sucos, ao lado do Iracema. As meninas não são barateiras, mas a comida é ótima, sempre a base de carne de sol. O Pirata é uma casa noturna familiar (já descrevemos) que apresenta boa decoração e uma música bem ao gosto do turista menos exigente (Olha a barriguinha! Olha a barriguinha!)

Se o ingresso custa justos 20 reais, a cerveja de latinha custa injustos 4 reais. Foi montada uma quadrilha com dançarinos “cangaceiros” e turistas entre outras atrações. Notamos muitos estrangeiros, principalmente italianos, sendo literalmente caçados por moças não tão moças assim. Compramos um lencinho do pirata por cinco reais, uma caneta para o Vitor da Ana por cinco reais e um boné para o Vítor, meu neto, por dez reais, mas a comida e a bebida são muito caras. No final da noite o cantor Falcão deu uma canja arrancando delírios de uma plateia de turistas classe média.

*Viagem à Fortaleza realizada em 2008. Ana Paula e Neucy


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