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Home Turismo Meu roteiro Ceará: 4º Dia Mercado Central e Praia do Cumbuco

Ceará: 4º Dia Mercado Central e Praia do Cumbuco

Fizemos umas fotos a partir do restaurante do hotel para completar as feitas na madrugada. Se bem que sempre fazíamos fotos panorâmicas apenas a partir do quarto ou do restaurante. No Mercado Central descobrimos que os cearenses são ótimos vendedores e gastamos mais do que o previsto - para se conseguir um desconto de até 50% é preciso não se interessar pelo produto, aí uma rede de 60 reais cai para trinta reais e no cartão de crédito.

Compramos sapatos (o vendedor jurou que é couro de jegue) super-macios e baratos, bolsas, uma cachaça em garrafinha pequena (muito bonita). Resolvemos comer por ali mesmo em um restaurante situado no fundo do mercado que oferece comida por quilo (16 reais) embora um outro ofereça por 12 reais, mas com menor variedade. A comida é toda diferente, a partir do tradicional baião de dois e os pratos com peixes e macaxeira, o refresco de caju de marca São Geraldo, igual a nossa tubaína, com gosto de nada. O local não prima pela limpeza, porém a comida é muito bem temperada, sem exageros no sal ou na pimenta.

Desde a entrada notamos várias pessoas vestidas de branco e munidas de estetoscópio, parecendo enfermeiras de terceira idade. A principio achamos se tratar de alguma campanha governamental, mas fui abordado por uma destas enfermeiras que se prontificou a medir a minha pressão e ao notá-la alta (acredito que pelo calor) justificou que era normal e me cobrou cinco reais pelo serviço. Sei lá! Preciso medir novamente por aqui para tirar da dúvida. Continuamos circulando pelo mercado.

Um ponto de informações ao turista nos forneceu gratuitamente mapas da cidade e muita orientação do centro histórico de Fortaleza. Saímos animados e partimos para o carro.

Pegamos o carro na locadora por 60 reais a diária por não ter sido indicado pelo hotel. Era um Gol equipado com direção hidráulica e ar condicionado, com 20 mil quilômetros e que nos deixou muito felizes por ter um Ford. É importante acompanhar a vistoria feita pelo funcionário e apontar qualquer risco ou amassado por menor que seja. No para-sol havia um aviso para não trafegar acima dos sessenta quilômetros por hora - a cidade esta cheia de radares, não só a cidade, mas as estradas também têm muitos radares. Um problema para se alugar um carro é que eles exigem um bloqueio no cartão de crédito no valor da franquia do seguro que, no nosso caso, era de mil e setecentos reais, o desbloqueio é feito na devolução do carro. Os descontos para compra em dinheiro são muito bons, mas acho perigoso levar dinheiro em viagens. Aí vem outro mico: eu separei o dinheiro de que dispunha em três partes, duas de 400 reais e uma de 500 reais. A de 500 eu levei comigo na pochete, uma parte de 400 coloquei dentro de uma mala e a outra eu esqueci completamente onde guardei, para minha sorte a Ana encontrou dentro de uma mala que extraviou na volta, mas foi encontrada e devolvida pela TAM.

Com o carro, resolvemos passar em um supermercado para comprar alguma coisa, afinal, para quem foi a Monte Verde com Ades e sanduíche de pão com mortadela pra não gastar naquele paraíso capitalista, levar lanchinhos em passeios é a coisa mais natural do mundo. Paramos em um Pão de Açúcar e na entrada do estacionamento (controlado por cancela automática) havia um cartaz avisando que o limite gratuito era de 20 minutos, depois seria cobrada uma taxa de 2 reais por hora. Imediatamente montamos um esquema para fazer a compra prevista em tão pouco tempo, cada um foi para um lado encarregado de pegar determinados itens - correndo como loucos pelos corredores -, eu fui incumbido de pegar a cerveja e o Ades, já a Ana a mortadela e os pães. Ao chegarmos bufantes ao caixa fomos informados por uma funcionária numa calma cearense extrema, que o tempo só era válido para quem não efetuasse compra alguma, com dez reais em compras já teríamos direito a duas horas de estacionamento. Partimos para Cumbuco.

Fomos pela CE-090 e voltamos pela BR-222, boas de asfalto, mas a BR é melhor por passar ao largo das vilas. O caminho mostra uma paisagem muito bonita com praias lindas como Iparana e Icaraí, pequenas vilas turísticas, embora urbanas, e dunas de onde se avista a serra que separa o litoral do sertão, pagamos apenas um pedágio de 2 reais em uma ponte na saída de Fortaleza. O que nos chamou a atenção em primeiro lugar foram as dunas. Escalamos as dunas a pé. Ficamos maravilhados com a delicadeza da areia e a suavidade da paisagem. A vista alcança muito longe e ficamos parados um bom tempo vendo e sentindo tudo. O vento é tão forte que apaga com muita facilidade as pegadas deixadas na areia e uma pequena planta consegue formar desenhos em relevo. Na praia oferecem jegues para passeio, jovens praticam wind-surf, os bugueiros não te deixam em paz e os meninos oferecem seus serviços de guias mirins. Comemos por 20 reais uma porção de iscas de peixe que cabia em um pires e a cerveja era Squin.

Os passeios de bug são todos iguais, caros e iguais. Eles te levam aos lugares onde você pode ir de carro pela estrada asfaltada só que eles vão pela praia e cobram entre 100 e 150 reais por uma hora de passeio com direito a paradas, muitas paradas! Todos são assim, apenas os passeios nas dunas não podem ser feitos de carro, estas informações nos foram dadas (amplamente confirmadas por nós posteriormente) por um guia mirim que tentava nos cativar. Os bugueiros exploram os turistas! Arrematou o menino, no que concordamos plenamente, todos exploram descaradamente os turistas de tal forma que por vezes a nossa reação a abordagem se torna grosseira. A Ana se sentiu muito ofendida por ser tratada desta forma e ficou deprimida. Uma pena, pois o povo é muito educado e gentil.

À noite fomos comer na chamada Casa dos Sucos. As proprietárias exibem muita simpatia e alguns dentes em falta. Um problema era o café, descobrimos que o posto de combustível próximo ao hotel tinha uma máquina de café expresso a 50 centavos, foi a salvação! É um local cheio de tipos mal encarados e meninas prostitutas, mas foi a única máquina de café que descobrimos. Na saída do posto fomos abordados por um garoto que pediu esmola em francês.

De volta ao hotel descobrimos que o serviço de garagem custa cinco reais por dia, não é muito, mas poderia ser gracioso. A garagem é pequena e lotada, incompatível com o porte do hotel Iracema.


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