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Ceará: 5º Dia Praia Canoa Quebrada

A estrada CE-040 é tranquila, sem buracos nem pedágios e os motoristas trafegam em velocidade moderada (como tudo por aqui). Não existem curvas perigosas também. Ao longo da estrada fomos observando uma paisagem típica interiorana com casas simples e fazendas de criação de cabras. Escolhemos ir até a praia mais distante de Fortaleza - Canoa Quebrada - e voltar parando nas outras não tão conhecidas.

Sempre que se ouve algum comentário sobre Fortaleza o nome desta praia é citado como sendo de visita obrigatória. Sinceramente, quase desisti de visitá-la depois que a Lourdinha, dona do restaurante Parada da Lourdinha, torceu o nariz ao saber que iríamos para lá e resmungou: “lugar de rico”. Como ainda faltavam 70 quilômetros de viagem uma dúvida nos bateu, ir ou não ir? Fomos, mas a Lourdinha estava certa. Ela nos aconselhou a comer lagosta na barraca do Zé Vidal na praia do Parajuru, para ela a melhor lagosta da região. Ela estava certa mais uma vez, só não avisou dos perigos. Para nossa surpresa o asfalto na vila de Parajuru acaba a alguns metros da praia, sem nenhum aviso, apenas acaba. Não existe acostamento, apenas areia, muita areia. Um motorista desavisado pode tentar manobrar o carro no acostamento e ficar preso na areia. Perguntamos em um hotel chique e uma funcionária indicou o lugar.

O Zé Vidal compra as cabeças de lagostas que ficaram danificadas durante a pesca e não servem para a exportação. Os pescadores retiram o corpo para vender no mercado e as cabeças são consumidas por moradores locais nos finais de semana ou por turistas meio malucos. Ele prepara uma porção refogada com molhos, acompanhada de arroz, salada e farinha de mandioca, ops! macaxeira torrada com semente de açafrão - que a torna amarela e deliciosa. (o pacote de meio quilo custa três reais no mercadão). A cerveja Brama é gelada (3 reais), a pimenta é fraca e o preço é baixo, dez reais. A porção completa para duas pessoas e duas cervejas ficou por dezesseis reais, mas como ele não tinha troco ficou por quinze mesmo. O Zé Vidal nos mostrou CDs de autêntico forró pé-de-serra e indicou as cidades e cantores.

Um fato curioso, notamos que um palmo abaixo da areia o chão era duro, pensando ser massapé como em Cananéia, indaguei do motivo. Balançando na rede seu Vidal explicou que a areia fazia muito buraco e então ele comprou terra e aterrou o barracão todo. Depois colocou a areia por cima?, perguntei. - Foi não, foi o vento, mas em agosto vai estar tudo limpinho, respondeu. Vai tirar a areia? Continuei perguntando. Vô não! É o vento...

O vento é o personagem principal de todos os lugares onde estivemos, perguntei ao seu Vidal se um dia o vento já tinha parado, pelo menos um pouco e ele respondeu que a temporada do vento começa em agosto. Como estamos em julho significa que a temporada está apenas começando, ou seja, o vento não para nunca. Mas é um vento gostoso, quente e ao mesmo tempo refrescante. Meu nariz é sensível ao vento, obstruindo com facilidade em Sorocaba, mas lá ele já estava desobstruído na terça-feira e assim permaneceu. Respirei muito bem a noite e durante o dia também.

A praia do Parajuru é curta e de areias grossas, uma constante por lá. Outra constante são os nomes estranhos. Quem votaria em alguém chamado Valbízio?

Depois de passarmos por uma fazenda de criação de camarões chegamos ao nosso destino. Canoa Quebrada é uma vila situada sobre falésias entre dunas e o mar. Sobre as dunas está sendo construído mais um parque eólico dos muitos que vimos no Ceará. Na entrada da vila existe uma área para estacionamento de ônibus e vans, já os automóveis conseguem passar por ruas muito estreitas e logo são atacados pelos oferecedores de tudo, barracas com armários, passeios de Bug, estacionamento para carros. No entanto, esta é a parte nova da Vila do Estevão, a antiga, esta sim é a vila original. Passamos pela parte nova de ruas super-estreitas e fomos a uns 500 metros adiante na vila antiga, bem mais tranquila e sem o assédio dos oferecedores. Depois da vila antiga ficam as mansões construídas sobre as dunas. Segundo os moradores são construções irregulares já que é proibido construir sobre as dunas (ouvimos isto várias vezes e em muitos lugares).

As falésias avermelhadas tornam a paisagem muito linda. É agradável passear entre as fendas, mas o banho de mar é complicado, pois a praia tem fundo irregular e é muito curta. Caminhamos pela praia e brincamos um pouco na água e nas pedras. No barranco formado pela falésia e a praia, os novos moradores (ou sei lá quem!) constroem a lua e estrela símbolo de Canoa Quebrada. É uma pena pois isto ajuda a derrubar a frágil falésia, elas são de pura areia.

Resolvemos verificar o preço da lagosta em uma barraca longe do “fervo” (chamada Ghetto) e mais próxima da vila antiga. Um rapaz nos mostrou um prato (ou o que sobrou dele) de lagostas, eram seis pequenas lagostas e o prato custava 36 reais, resolvemos jantar por ali porque as lagostas eram grelhadas e inteiras, embora pequeninas. Esperamos, esperamos, ficamos vendo o pessoal saltar(?) com aquelas asas (parapaint?), tomamos uma Ipióca, a Ana até tirou um cochilo e nada da tal lagosta. Até que a dona veio perguntar se nós iríamos jantar por lá (ela estava fechando a barraca!), a Ana contou que estávamos esperando a tal lagosta e para nossa surpresa ela não foi avisada pelo rapaz. Como era tarde resolvemos ir embora. Além de não avisar o rapaz nos deu o preço errado, o correto era 50 reais.

Antes de pegar a estrada demos uma paradinha nas dunas para ver o por-do-sol. Depois de quase morrer de cansaço numa subida íngreme descobrimos que existe um acesso pela vila (fomos pela estrada). Ficamos impressionados com garotos de no máximo dez anos descendo as dunas com tábuas de 10cm x 40cm. Muitos turistas e moradores se reúnem para ver o por-do-sol e a subida vale a pena, é muito lindo.

De volta ao hotel, compramos uma pizza em uma Pizzaria ao lado do hotel, um Dorflex na farmácia e um café no posto de gasolina e ficamos comendo pizza e tomando cerveja no quarto do hotel. Isto tudo porque chegamos tarde devido a umas perdidinhas na estrada. Chegamos a ver uma placa indicando Mossoró (RN) e depois pegamos a BR-304 com enormes buracos. Entre a CE-040 e a divisa com o Rio Grande do Norte ela é transitável, mas entre o entroncamento com a CE-040 e a BR-116 é impossível andar por ela, tanto que até os jegues (encontramos vários) andam pelo acostamento. Estas perdidinhas nos custaram preciosos setenta quilômetros na franquia do carro. Chegamos totalmente quebrados em Fortaleza e decidimos pelo descanso já que no outro dia iríamos para as praias das Fontes e Morro Branco além de uma parada em engenhos que fabricam rapadura.



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